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O plano de sucessão da sua empresa escolhe substitutos ou prepara o futuro?

há 7 minutos
3 min de leitura

Venho trabalhando com planejamento sucessório desde 2011 e, em muitos momentos, a preocupação se limitava a responder: “Quem ocupa este lugar quando esta pessoa sair?”.


Arte ilustrando uma pessoa entregando um bastão dourado com um símbolo de uma bússola a outra. No bastão estão as palavras "Pessoas, Desenvolvimento, Estratégia e Futuro". Ao fundo, há uma fotografia de um tabuleiro de xadrez onde há uma única peça, um 'peão', e a sombra dessa peça é uma "Rainha", projetada na parede branca. Acima, a faixa do arcoíris das cores da paleta da Éssi Consultoria. E no canto superior direito o logotipo da Éssi.

Essa é uma questão de extrema relevância, porque cuida da continuidade do negócio no curto e médio prazos. Mas a chave realmente mudou quando passamos a projetar qual empresa queremos construir no futuro e quais lideranças serão necessárias para sustentar essa estratégia.


A pesquisa The New Rules of Succession Management, publicada pelo Institute for Corporate Productivity — i4cp, em 2026, traduz em números muito do que tenho observado nessa trajetória. Os dados mostram que muitas organizações ainda realizam apenas o planejamento de reposição.


Alguns números nos ajudam a entender esse cenário:


  • Apenas 18% das organizações integram fortemente sucessão e planejamento do negócio.

  • Somente 14% conectam sucessão ao planejamento estratégico da força de trabalho.

  • Organizações de alto desempenho têm probabilidade cinco vezes maior de relacionar sucessão e estratégia.

  • As empresas mais eficazes na construção de seu pipeline são quase dez vezes mais propensas a fazer essa integração.

  • E são mais de três vezes mais propensas a revisar seus planos sucessórios ao longo do ano.


O ponto central é que, em muitas empresas, a discussão sobre planejamento sucessório ainda se limita a listas, mapas e reuniões de sucessão. Olha-se para a organização que existe hoje, sem necessariamente fazer a conexão com a estratégia que já está desenhando uma empresa diferente para amanhã.


Se observarmos a velocidade com que o mercado tem se movimentado, fica fácil compreender que uma pessoa pode estar preparada para assumir determinada cadeira como ela funciona atualmente e, ainda assim, não possuir as capacidades que essa posição exigirá daqui a dois ou três anos.


As estruturas e os modelos de negócio estão em constante mudança. A tecnologia pode transformar a forma de trabalhar. As relações de interdependência podem se tornar mais complexas. E aquilo que tornou alguém bem-sucedido até aqui pode não ser suficiente para o próximo ciclo.


Por isso, um planejamento sucessório 2.0 deve avaliar:


  • Quais capacidades serão críticas para executar a estratégia futura;

  • Quais posições continuarão relevantes e quais precisarão ser redesenhadas;

  • Que experiências concretas estão sendo oferecidas para desenvolver possíveis sucessores e sucessoras;

  • Se o pipeline reflete a diversidade de talentos existente ou continua reproduzindo o mesmo perfil de liderança.


E há uma questão ainda mais relevante: Estamos avaliando potencial para os desafios futuros ou apenas aderência ao perfil atual?


Essa mudança também altera os processos de gestão de talentos e avaliação de potencial. Um processo consistente deve ir além de uma lista de pessoas classificadas em quadrantes. Ele precisa produzir evidências para decisões de desenvolvimento, mobilidade, exposição, carreira e formação de pipeline.


É necessário separar conversas que muitas vezes aparecem misturadas: desempenho, potencial e prontidão, e trazer para a discussão outras dimensões que podem gerar vieses, como tratar ambição como sinônimo de potencial ou visibilidade como equivalente à capacidade.


Quando essas distinções não existem, a sucessão tende a favorecer quem já está mais próximo do modelo atual, quem possui maior visibilidade ou quem se parece com as lideranças que vieram antes.


Sucessão é criar as condições para que o negócio continue avançando quando o futuro chegar.


Na Éssi Consultoria, desenvolvemos uma metodologia de avaliação de potencial chamada Talent Review, que combina critérios estruturados, evidências de potencial, entrevistas, análise de carreira e apoio à calibração. O objetivo é ampliar a qualidade das decisões sobre talentos e fortalecer o pipeline sucessório.


Se a sua empresa quer transformar a gestão de potencial em uma ferramenta real de estratégia, desenvolvimento e sucessão, vamos conversar.


Fonte: The New Rules of Succession Management: A Blueprint for Future-Ready Organizations — Institute for Corporate Productivity, 2026.



Fotografia de Irina Talbot.

Por Gisele Müller. Fundadora da Éssi.
Consultora, mentora, trainer e coach com o mesmo propósito que a move desde o início: acelerar o crescimento de pessoas e organizações com profundidade e autenticidade. Coautora dos livros Diversidade e Inclusão e Suas Dimensões.

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